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CASO RODRIGO
Dois anos de impunidade
 A polícia ainda não descobriu o paradeiro dos assassinos do veterinário Rodrigo Ulhôa Vale, 28 anos, executado com três tiros no dia 6 de agosto de 2005, numa área entre Taguatinga e Brazlândia. Rodrigo e a namorada dele, Ariadne Esteves, foram rendidos por três bandidos em Brasília quando iam deixar um amigo em casa, na 713 Sul. Armados, os criminosos levaram o casal até o km 90 da DF-001. Pararam em um lugar deserto e tentaram estuprar Ariadne. Rodrigo reagiu, para salvar a namorada, e levou três tiros.
O crime é investigado pela 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte). Somente um bandido foi preso - Francisco Crisóstomo Barbosa, o França, que estava em liberdade condicional quando matou Rodrigo. Mas o criminoso ficou preso apenas por 14 dias. O bandido fugiu quando era levado por policiais para prestar depoimento no Fórum de Taguatinga, no dia 2 de fevereiro deste ano.
O delegado Mauro Aguiar, da 17ª. DP, garante que as buscas continuam. “Foram dias e noites de busca e investigações até que conseguimos prendê-lo. Mas como ele não estava sob nossa custódia, e sim da penitenciária, que o perdeu no trajeto, tivemos de começar tudo de novo”, afirma. “Espalhamos o aviso de foragido por todo o país, já tivemos várias pistas. Temos confiança de que o crime não vai ficar impune”, disse Aguiar.
Revoltada com a fuga inexplicável do criminoso na hora em que era conduzido por agentes policiais, a família luta por justiça. “É uma irresponsabilidade muito grande os criminosos ainda estarem soltos”, revolta-se a mãe de Rodrigo, Ieda Vale. Para a publicitária Veruschka Vale, irmã de Rodrigo, é preciso mudar o sistema carcerário. “Parece que os bandidos somos nós, que vivemos atrás de muros, alarmes e grades para nos proteger.”
Leia a carta de Ieda Vale nos dois anos da morte de Rodrigo.
A saudade que dói
Ieda Vale*
Dois anos já se passaram. Para mim é como se tudo estivesse acontecendo agora. A dor e o vazio permanecem os mesmo se a saudade aumenta a cada dia. É uma saudade que dói, que dói muito. É a saudade de quem partiu para uma viagem eterna que não tem volta. Não consigo definir, nem encontrar palavras para explicar esta dor, este grande vazio no meu coração de mãe.
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Perder um filho é carregar para sempre a sensação de que está faltando um pedaço em nós. É como se uma parte de nós tivesse morrido com ele. A minha vida, a vida de toda minha família mudou, não conseguimos ser mais as mesmas pessoas. Tudo em nós perdeu o encanto e o brilho. É como se antes o mundo fosse colorido e agora preto e branco. Não posso e não consigo esquecer a crueldade, a covardia que fizeram com você, meu anjo. |
Sinto a tua presença em tudo que vejo. Na natureza, nos animais, nas crianças brincando, nas pessoas idosas, nos ipês amarelos cobertos de flores neste mês de agosto, em tudo que você tanto amava e respeitava. A cada momento tenho mais certeza que você era um ser humano especial, especial demais, que veio a esse mundo para nos ensinar a contemplar as belezas criadas por Deus e também nos ensinar a amar cada vez mais o nosso próximo.
Você agora, meu filho, é um Anjo lindo, intercedendo por nós e nos guiando, nos dando força para continuarmos a nossa jornada aqui neste mundo terreno.Um anjo de luz que irradia o amor e a paz. Que Maria, Mãe Santíssima, te cubra com o manto de amor maternal, que te abrace e beije por mim. A Deus, as minhas preces, confiante em sua Justiça.
A você, meu filho, o nosso carinho e o nosso amor eterno.
Você estará sempre guardado em nossos corações.
Te amamos muito.
*Ieda Vale é mãe de Rodrigo Fonseca |